Mediocridade Quinta-feira, Out 4 2007 

Estou num conflito cultural muito interessante que me fez pensar. Estou há 10 dias na Europa tendo aquela enorme influência de qualidade, prestatividade, honestidade e organização que fizeram deste continente o grande successo que ele é hoje.

Para ser mais específico, estou exatamente neste momento viajando de trem em direção ao sul cruzando as planícies frias e cobertas de neve do norte da escandinávia. O clima castiga o povo com duras, frias e intermináveis noites numa escuridão de dar calafrios à qualquer brasileiro. De dentro do moderno vagão pude, à confortáveis 20 graus celsius, ligar meu notebook numa tomada e colocá-lo delicadamente numa mesa própria para isso enquanto bebo uma pepsi comprada no vagão-restaurante. Posso assistir à neve caindo do lado de fora enquanto pessoas muito agasalhadas sobem e descem do trem sem apresentar nenhum cupom ou ticket uma vez que todos já entendem que o certo é pagar exatamente pelo trecho viajado. Entre os vagões, modernas portas automáticas e silenciosas parecem ter saído diretamente de um filme da série “Guerra nas Estrelas”. Enquanto um sistema digital de informação indica 140Km/h de velocidade, um funcionário informa que nunca houve sequer um caso de roubo nos trens em mais de 15 anos (mesmo que eu tenha deixado, de propósito, meu notebook, câmera-digital, mala, dinheiro e documentos sozinhos enquanto fui comprar a pepsi ou fui ao toalete).

Ao mesmo tempo estou aqui corrigindo os exames realizados pelos meus alunos da faculdade nesse semestre lá do longínquo e exótico Brasil. Alunos que não conseguiram atingir os requisitos mínimos da faculdade e precisaram passar por uma “repescagem” que reduz ainda mais os requisitos já tão baixos.

Sempre que estou dando aula ou corrigindo exames me coloco numa linha de pensamento onde vejo que aqueles jovens serão o futuro do país. Sem demagogias vazias. Eles serão efetivamente os próximos profissionais, aqueles que buscarão empregos, que serão nossos parceiros de trabalho, nossos vizinhos, pagadores de impostos, cidadãos e membros dos nossos grupos sociais. Serão eles que trarão novas idéias, novas culturas, novas soluções e também novos problemas. Vão estar nos apoiando enquanto caminhamos para aposentadoria e, quando chegarmos lá, serão aqueles que sustentarão o mundo dos nossos netos enquanto descansamos em algum lugar confortável os últimos dias da nossa vida.

É assim que sonho pelo menos. E assim que tento fazê-los sentir. Tento resgatar a antiga relação pupilo versus tutor que tanto foi minada com essa máquina de ensino criada ao longo dos anos. O pupilo é mais que um aluno. Ele não é, de forma alguma, um “não-iluminado” como a palavra “aluno” nos relembra. Ele é um pupilo – a menina-dos-olhos, aquele que filtra tudo para um conhecimento maior, melhor, mais elevado – para ultrapassar o mestre. O tutor também não é somente um professor. Ele é um instrutor, aquele que aponta a direção, que transmite mais do que simplesmente uma lista enorme de assuntos. O tutor é útil, é chave, é o trilho, uma das peças do enorme trilho que o trem dos pupilos deve percorrer.

Mas ler os exames desses alunos me entristece demais: me faz lembrar de como nossa cultura brasileira é medíocre; como ela aceita a mediocridade como padrão irrevogável. Dezenas de alunos buscando nada mais que passar numa mísera matéria com a nota mínima para tal feito. Nada de realizar o exame inteiro. Para que, se só metade do exame já deve garantir os 50% que cada um precisa para passar? Esta postura me entristece: me faz pensar que o esforço é inútil, que nossos jovens são exatamente como os nossos antepassados: são medíocres, egoístas e cegos para o bem maior – cidadãos de segunda linha se é que ao menos podem ser chamados de cidadãos.

Por que aceitamos tanto a mediocridade? Por que aceitamos viver com violência e com pobreza ao nosso redor? Por que aceitamos uma corrupção tão escandalosa? Por que aceitamos uma educação pública tão nojenta? Por que pagamos para sermos tão mau-educados nas entidades particulares? Por que aceitamos pagar fortunas para atendimento médico? Por que não resolvemos transformar o Brasil em um país descente, do qual possamos nos orgulhar verdadeiramente, onde não precisemos nos preocupar se seremos assaltados ou não, se chegaremos vivos em casa ou não? Por que culpamos um ou outro governo quando a culpa é totalmente nossa?

A resposta é que nós simplesmente aceitamos ser medíocres. Aceitamos de cabeça-baixa tudo que nos é imposto pelos mais fortes – e até pelos mais fracos ultimamente – vide o caso Evo Morales. Simplesmentes aceitamos ser medíocres. Aceitamos os indicadores sociais “na média” como dizem meus alunos – esses sim sem-iluminação.

Aceitamos que nos paguem de forma desequilibrada – os mais ricos sempre ficando mais ricos e os mais pobres sempre recebendo menos. Aceitamos que o Brasil cresça abaixo do crescimento mundial. Aceitamos que as pesquisas indiquem que somos um dos países mais corruptos do mundo. Aceitamos ter uma mídia manupulada e manupuladora. Aceitamos pagar a maior carga tributário do mundo e ter tão pouco em troca. Aceitamos um sistema tributário confuso e ineficiente. Aceitamos exageros profissionais em troca de míseros centavos no final do mês pagos por algum empresário sem coração ou por um governo corrupto.

Como alguns dos meus alunos retidos para exame, buscamos nada mais que a média em tudo e, exatamente por isso, a busca pela excelência nunca acontece e ficamos geração após geração retroalimentando um sistema falido.

Enquanto buscarmos nada mais que a mediocridade continuaremos sendo vistos como meros medíocres pelo mundo afora. Infelizmente com razão.

Sobre apresentações… Segunda-feira, Out 1 2007 

Um link excelente sobre apresentações corporativas está no site da Baumon Marketing.

Recomendo fortemente uma olhada: excelente qualidade visual e narração digna de uma boa apresentação.

O link: http://www.baumon.com.br/39516_flash/39516/index.html

Ao mestre com carinho Domingo, Set 30 2007 

Talvez pelo fato de ser jovem, sei lá, sempre que digo que sou professor as pessoas dão indiretas e querem saber das “histórias”. Sim, “histórias de alunas”, subentendido.

Não, nunca tive nada com alunas (mesmo que alguns duvidem). Não por falta de oportunidades, mas por achar errado, mesmo. Há uma relação de poder envolvida e não me agrada tal situação. Além disso, muito é “fetiche de professor”: alunas que se sentem atraídas pelos professores, como os alunos da 3ª série que se sentem atraídas pela professora de português. Passou o semestre, elas esquecem.

Mas, sim, tenho histórias engraçadas a contar, que conterei em outras oportunidades. Hoje vim postar uma música da banda Os Seminovos, de Uberlândia, chamada “Ao Mestre com carinho”.

A letra segue abaixo. Aproveite e fique também com um vídeo bem divertido que tem a música como fundo.

Ao Mestre Com Carinho
Os Seminovos

Você é minha aluna,
Não entre nessa
Você tem 19 anos e eu…
Não interessa
Esqueça o que rolou depois
daquela festa de formatura
Você no fogo de milhões de hormônios
E eu de fogo, na maior secura
Eu resisti o ano inteiro
Fiquei na minha
Vendo você na primeira fila
De míni-saia e sem calcinha
Deixei de agir como profissional
No exato momento
Em que rolou aquela prova oral
Aplicada no estacionamento
Já te expliquei:
Alguma coisa aqui está fora do normal
Nenhuma boa aluna implora pra levar pau
Te ver assim de joelhos
Aos meus pés, baby, me chateia
Impossível dialogar
Com você falando assim, de boca cheia
Meu corpo não foi o primeiro,
Estou ciente
Antes de mim você deu prazer
A outro corpo, o corpo docente
O que explica sua nota 100
Em Botânica e Literatura
Menina, te conheço bem
Já explorei toda a sua cultura
Nós não precisamos ser
Perfeitos
Me guarde na sua lembrança
Na minha vou guardar
Seu par de peitos
Eu tenho filhos, tenho mulher
E não quero ter uma segunda
Por isso se você me vir com ela
Não belisque mais a minha bunda
Vou repetir…
Alguma coisa qui está fora do normal
Nenhuma boa aluna implora pra levar pau
Maior que nós é a verdade que não quer se calar:
O que eu te ensinei é muito bom,
Mas não é matéria de vestibular…

PS.: A dica é do Chorik

10 dicas para uma boa apresentação Sexta-Feira, Set 14 2007 

O texto é do site Quick Sprout. Vale a pena ler o original. Apesar de ser focado em apresentações corporativas, serve também para a sala de aula.

Aqui, postarei apenas um breve comentáro de cada uma.

  1. Não abuse do visual: as pessoas estão lá pra ver sua apresentação, não um show de cores e efeitos.
  2. Olhe para as pessoas: faça contato visual, isso aumenta a atenção das pessoas.
  3. Mostre sua personalidade: não seja como o Agente Smith, do Matrix.
  4. Faça-os rir: eles ficarão alertas e interessados se a apresentação for mais divertida.
  5. Fale com as pessoas: interaja, faça-as falar, assim terá um um bom feedback do entendimento do que fala
  6. Seja honesto: não fale o que as pessoas querem ouvir, mas o que elas precisam ouvir.
  7. Não seja over-prepared: seja natural, estude o que vai falar, mas não haja como se tivesse decorado. Deixe a apresentação fluir.
  8. Mexa-se: não fique parado como uma estátua.
  9. Atenção ao que fala: “ahhh”, “humm”, “é…” você pode não notar, mas as pessoas notam e se irritam
  10. Diferencie-se: tenha algo de único, que o diferenciará dos demais. Isso ajudará as pessoas a lembrarem-se de você.

Motivos e razões Terça-feira, Set 11 2007 

A idéia de O Professor é ser um blog… para professores!

Há muitos blogs de alunos, blogs de assuntos específicos, mas poucos blogs dedicados aos professores. Este blog tenta ser uma exceção que confirma a regra.

Além dessa razão, a idéia de compartilhar algumas das histórias que vivencio em sala de aula (e as vezes fora) me parece divertida. Tenho amigos professores e muitas vezes trocamos figurinhas sobre essas histórias, mas não me lembro de ter um espaço para falar disso. Talvez O Professor venha resolver isso.

Vamos ver o que o tempo, esse sábio professor, tem a dizer.

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