Uma grande empresa recrutava novos gerentes recentemente. Os requisitos básicos se resumiam em:
Os candidatos precisam ter pelo menos duas graduações, sendo uma delas MBA em Economia, Marketing ou Negócios. Outro requisito é ter dois anos de experiência profissional, de preferência nas áreas de telecom, TI, mídia ou consultoria.
Além disso, é necessário ter morado em pelo menos dois países e ser fluente em duas ou mais línguas, sendo o inglês obrigatório.
Numa primeira olhada achei os requisitos altos demais. Ter um MBA mais experiência profissional mais morado em dois ou mais países e falar inglês e pelo menos mais uma língua! Sinceramente? Depois de anos de rodagem, ainda estou longe desses requisitos.
E pior: a empresa estava buscando novos talentos, ou seja, recém-formados!
Olhando para o sistema acadêmico Finlandês entretanto fiquei muito assustado. A grande maioria dos recém-formados já sai das faculdades com boa parte desses requisitos senão todos.
Assim que o aluno entra na faculdade ele já é direcionado para um plano de mestrado. Para chegar ao MBA é só escolher as matérias e o diploma correto. Nada mais.
Os alunos têm várias oportunidades de estágio muitas vezes no exterior dentro de programas de intercâmbio. É bem comum que alunos façam vários intercâmbios em vários países antes de se formar. Tudo financiado pelo governo, vale lembrar.
No processo, aprendem as línguas locais e, claro, ainda têm o inglês e o finlandês que já são obrigatórios desde o primário.
Já o nosso processo tupiniquim é complicado. Entrar numa boa faculdade requer ou resultados excepcionais e dedicação total (para o sistema público) ou um apoio financeiro por detrás (para o caríssimo sistema privado). Em ambos os casos, o apoio financeiro acaba sendo obrigatório porque estudar no sistema público sem ter como comer ou chegar até a faculdade é um problema. A maioria dos estudantes acaba precisando se dividir em sub-empregos para auto-financiar de forma bem limitada os seus estudos – que não podem ser muito caros – lembre-se.
Mesmo dentro do universo das melhores faculdades do país, não são todas que possuem acordos de intercâmbio internacional. O inglês, embora matéria de vestibular, é mau explorado no primário e secundário. Chegam nas faculdades um batalhão de alunos que reclamam se um professor passa bibliografia em Inglês.
Conseguir um Finlandês recém-formado que se encaixe nos requisitos é bem simples. Um brasileiro, muito complicado.