Este é o tema que tem me assombrado estes últimos dias: “como aprender a aprender?” Sei que a frase soa ridiculamente mas está aí uma habilidade que não é treinada nas escolas. Em toda minha carreira acadêmica, ninguém nunca parou para me ensinar como eu deveria aprender.
Nossos currículos estão cheios de matérias que vão sendo lancadas pelos professores para que os alunos pesquem uma coisa ou outra. Na prática, devido à estrutura do sistema, resolvemos decorar de forma apressada (ou colar num pedaco de papel) toda aquela série bizarra de coisas aparentemente inúteis que nos foi jogada e gospí-las de volta na hora da prova.
Assim como o papel da cola é jogado fora depois da prova, tudo aquilo que decoramos também é jogado na lata de lixo mais próxima dentro dos 5 minutos que se sucedem após a prova. Você provavelmente se recorda de alguma situacão onde não lembrava como resolveu determinada questão da prova – que eventualmente acabou de fazer, diga-se de passagem.
O problema é que não aprendemos. Vamos virando máquinas para processar um conteúdo e gospí-lo de forma relativamente processada na outra ponta. Infelizmente, no caminho do processamento, pouco ou nada agregamos de pensamento crítico ao conteúdo sendo processado.
Percebi essa dificuldade enquanto estudante e depois mais contundentemente como professor Universitário.
Certa feita um professor distribuiu uma série de textos e pediu que os alunos lessem e indicassem os pontos que não concordavam com o texto. Foi um desafio gigantesco para a maioria dos alunos pois o mestre não queria um simples resumo do texto; ele não queria que os alunos lessem e depois guspissem o mesmo texto com outras palavras. Isso é fácil! Ele queria que os alunos entendessem o texto (o que é totalmente diferente de ler) e depois pudessem concatenar uma série de outros conceitos e experiências pessoais para poder realizar – de modo crítico – uma lista dos pontos com os quais não concordava com o texto.
Como professor fiz um teste de interpretacão curioso. Realizei um exame com 2 questões cada qual com um tema – A e B – e pedi que utilizassem respectivamente duas abordagens treinadas em aula – X e Y. As respostas corretas seriam aquelas onde A fosse discorrido com o uso de X e B fosse discorrido com o uso de Y (algo como AX e BY). No exame seguinte eu apliquei exatamente as mesmas questões – A e B – só que inverti as abordagens: pedi que discorressem com o uso de Y e X (ou AY e BX ao invés de AX e BY).
Embora as respostas precisassem ser totalmente diferentes, grande parte dos alunos concluiu que eu era algum idiota retardado e estava aplicando a mesma prova duas vezes. Não foram capazes de interpretar o que estava escrito e terem um mínimo de visão crítica.
Precisamos aprender a aprender.
Outubro 27, 2007 às 4:06 pm |
Cara,
adorei esse texto, revela tudo que passa na minha pobre e mortal alma docente. As mesmas preocupações. Afinal, o que faz com que um jovem acorde cedo e vá pra escola, já que ele não aprende de fato? Que raio de escola é essa e que tipo de gente estamos formando?
Saudações
Allan
Dezembro 17, 2007 às 9:09 pm |
O texto é bom mesmo. Não lembro agora o nome do artigo em que li sobre isso. Mas era algo escrito por Peter Drucker. Ele falava sobre a dificuldade que a maioria tem em, na hora do aprendizado, abandonar velhos paradigmas, saber ouvir idéias contrárias às suas, estar aberto a novas visões. E Drucker não falava propriamente dos jovens, mas sim dos profissionais veterenos. Segundo ele, eram esses que mais comumente demonstravam tais dificuldades.
Um abraço!
Janeiro 18, 2008 às 8:09 pm |
Essa nota foi muito boa pra mim pois
pude compreender que aprender não é uma coisa qualquer que passa pela nossa vida pois estamos aprendendo cada dia de nossas vidas. Essa nota foi muito especial para mim pois pude ver o mundo de uma maneira especial de ser. Pois esse interesse é bem compreensivel, pois falar de aprender a aprender é de certa forma falarmos de nós mesmos.
Janeiro 25, 2008 às 8:17 pm |
BOM, CONCORDO PLENAMENTE COM AS TUAS OBSERVAÇÕES, PORÉM O QUE TEMOS VISTO NAS SALAS DE AULA SÃO PROFESSORES DESESTIMULADOS, SEM VONTADE DE APRENDER. E O QUE ACONTECE QUANDO O PROFESSOR (QUE É O FACILITADOR DA APRENDIZAGEM) NÃO QUER APRENDER? É O QUE SE VÊ EM NOSSO PAÍS; OU SEJA: UMA EDUCAÇÃO FRACA QUE NÃO FORMA INDIVÍDUOS ATUANTES E PENSANTES, E SIM FORMA PESSOAS ALIENADAS E SEM OPINIÃO ALGUMA SOBRE QUALQUER COISA. QUERIA REALMENTE QUE A APRENDIZAGEM FOSSE ESTIMULADA EM TODAS AS IDADES; POIS APRENDER NUNCA DEIXA NOSSAS VIDAS, TODO DIA É UM APRENDIZADO DIFERENTE, APENAS A FORMA DE INTERPRETÁ-LO QUE É DIFERENTE DE PESOA PARA PESSOA.
ABRAÇO.
Março 24, 2008 às 3:20 pm |
Aprender a aprender? na verdade o que é isso? Como podemos quebrar paradigmas se não conseguimos nem fazer a lição de casa? Como podemos aceitar uma aprendizagem tão fraca onde alunos que não sabem ler nem escrever são aprovados para a série seguinte contradizendo toda a Lei de diretrizes e Bases que o nosso saudoso darci Ribeiro com tanto esforço produziu? Me pergunto aonde é que está o erro e porque não o consertamos. Porque continuamos errando cada vez mais e deixando jovens a beira do analfabetismo. porque temos que descriminar entre jovens que têem condições e os que nô têem? Difícil solução para um problema que fica cade vez mais enraizado na cultura do povo brasileiro. “educação é para poucos”. sejamos os agentes de mudança para que nosso futuro não seja cada vez mais obscuro”
Abraços.
Março 27, 2008 às 11:16 am |
Oieeee boa tarde?
Adorei o texto…mas gostaria de saber quem foi o autor?
Abraço
Outubro 12, 2008 às 2:49 pm |
Olá,
O texto reflete a realidade do discente. Muito bom !
No entanto,precisamos tomar cuidado com a palavra “gospir”. Na verdade é “cuspir”.
Atenção aos erros de português.
Obrigada.
Outubro 27, 2008 às 12:04 pm |
Olha, achei muito interesante este texto, embora nele você site que se deve aprender a aprender, uma coisa que deve estar sempre em sua mente é a ideia de sempre estar disposta a abrir sua mente para o conhecimento, dediquei toda a minha vida para poder ensinar aprender a aprender, ho aos 20 anos de idade, sou considerado um genio por professores e amigos,mais para mim mesmo não sou niguém, pq?
para ensinar alguem a aprender a aprender é necesssario tempo, vamos dizer se uma pessoa esta interesada a aprender a aprender, para que eu possa ensinala eu levaria cerca de um mês, sou formado em FÍSICA, E O MEU CONHECIMENTO É MUITO GRANDE, MEU EMAIL ESTA AI, A E OUTRA COISA ME DESCULPE PELOS ERROS DE PORTUGUÊS EU NÃO CONSIGO ASSIMILAR LETRAS COM NUMEROS É MEIO COMPLEXO.
Novembro 19, 2008 às 11:55 am |
Olá,
Sou estudante universitário, curso Física na “tão” conceituada USP, mas o que posso dizer para acrescentar a discussão é apenas concordar.
Iniciei um curso completamente estimulado com o espírito aberto para novos horizontes, cheio de espectativas(maior erro) e o resultado foram apenas frustações. Estou desistimulado com estas aulas fadonhas, ressalto que não tenho o mesmo sentimento com relação a ciência Física, esta já provou ao longo dos séculos a sua utilidade.
Mas para concluir o que levo de melhor da universidade foi esta capacidade que o nosso colega Luchini Tiago citou de “aprender a aprender”. Sinto, que uma vez explorada esta que talvez seja a maior de todas as ciências, as outras possam ser ensinadas nas escolas como exemplos da busca pelo conhecimento.
Fevereiro 16, 2009 às 11:14 am |
Parabéns pelo texto!
Gostaria de saber quem foi o autor que primeiro cunhou a expressão “aprender a aprender”. É possível me sinforar isto?
Abril 10, 2009 às 7:14 am |
Para mim tudo é muito novo,sou formada a 30 anos e voltei a estudar novamene,de repente me deparo com situ
ações ilusitadas como essa tecnologia que nos de
porta a um mundo novo e global.O que quero dizer com isso é que terei de APRENDER A PRENDER,antes desconhecido hoje é preciso descobrir a formula mágica de aprender a aprender,como poderei entrar em mundo que até pouco tempo me era desconhecido, daí me deparo com tamanho desafio, e é exatamente este desafio que me fará aprender a prender,pois sou uma jovem de 72 anos,que terá de competir com jovens antenados na tcnologia e tudo que este mundo oferece,aceitei o desafio e terei que aprender a aprender, é novo mais faz com que eu queira aprender.Obrigada abraços para quem ler e der seu parecer
Junho 13, 2009 às 1:17 pm |
Também penso da mesma maneira,antes eu costumava ser muito ruim no estudo,mas hoje em dia melhorei e muito com alguns procedimentos,nada muito complicado mais faz muita diferênca,uma coisa que eu acho que deveria ser mais usado por exemplo é o dicionário,pois normalmente as pessoas aprendem milhares de palavras no seu cotidiano e sabem usa-las em textos de modo a fazer sentido mas não sabem explicar seu significado de maneira precisa,etimologia,na verdade na, minha opinião antes de ensinarmos inglês ou espanhol deveriamos introduzir o latim e o grego para que o aluno desenvolvesse uma capacide maior de concatenação de fatos e idéias…