Brasil: Pioneiros, mas sempre atrasados! Segunda-feira, Mar 17 2008 

Recomendo a leitura dessa matéria na agência Fapesp:

http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=8566

Mostra como o Brasil patina, patina, patina, na sua (r)evolução tecnológica, que está mais para ré-volução tecnológica, sendo esse ré o mesmo da marcha…

Tecnologia de Papel Quarta-feira, Fev 13 2008 

Deixo aqui a dica de outro site de professores, mas este com foco em tecnologia. É o Computador de Papel.

Para quem curte, o site tem material muito bom

http://professored.wordpress.com/

Pérolas Quarta-feira, Dez 19 2007 

Já que insistiram para que compartilhasse nosso “conhessimento” e “esperiemcia” com o mundo…

E olha que eu desisti de circular os erros…

pérolas

Só para Mágicos e Finlandeses Quinta-feira, Nov 29 2007 

Uma grande empresa recrutava novos gerentes recentemente. Os requisitos básicos se resumiam em:

Os candidatos precisam ter pelo menos duas graduações, sendo uma delas MBA em Economia, Marketing ou Negócios. Outro requisito é ter dois anos de experiência profissional, de preferência nas áreas de telecom, TI, mídia ou consultoria.

Além disso, é necessário ter morado em pelo menos dois países e ser fluente em duas ou mais línguas, sendo o inglês obrigatório.

Numa primeira olhada achei os requisitos altos demais. Ter um MBA mais experiência profissional mais morado em dois ou mais países e falar inglês e pelo menos mais uma língua! Sinceramente? Depois de anos de rodagem, ainda estou longe desses requisitos.

E pior: a empresa estava buscando novos talentos, ou seja, recém-formados!

Olhando para o sistema acadêmico Finlandês entretanto fiquei muito assustado. A grande maioria dos recém-formados já sai das faculdades com boa parte desses requisitos senão todos.

Assim que o aluno entra na faculdade ele já é direcionado para um plano de mestrado. Para chegar ao MBA é só escolher as matérias e o diploma correto. Nada mais.

Os alunos têm várias oportunidades de estágio muitas vezes no exterior dentro de programas de intercâmbio. É bem comum que alunos façam vários intercâmbios em vários países antes de se formar. Tudo financiado pelo governo, vale lembrar.
No processo, aprendem as línguas locais e, claro, ainda têm o inglês e o finlandês que já são obrigatórios desde o primário.

Já o nosso processo tupiniquim é complicado. Entrar numa boa faculdade requer ou resultados excepcionais e dedicação total (para o sistema público) ou um apoio financeiro por detrás (para o caríssimo sistema privado). Em ambos os casos, o apoio financeiro acaba sendo obrigatório porque estudar no sistema público sem ter como comer ou chegar até a faculdade é um problema. A maioria dos estudantes acaba precisando se dividir em sub-empregos para auto-financiar de forma bem limitada os seus estudos - que não podem ser muito caros - lembre-se.

Mesmo dentro do universo das melhores faculdades do país, não são todas que possuem acordos de intercâmbio internacional. O inglês, embora matéria de vestibular, é mau explorado no primário e secundário. Chegam nas faculdades um batalhão de alunos que reclamam se um professor passa bibliografia em Inglês.

Conseguir um Finlandês recém-formado que se encaixe nos requisitos é bem simples. Um brasileiro, muito complicado.

Perguntas ou Respostas? Segunda-feira, Nov 5 2007 

Para pensar:

“O melhor educador é o que gera uma fonte de perguntas em seus alunos, e não o que é uma fonte de respostas prontas. As respostas prontas produzem servos; o questionamento, pensadores. Jesus deu poucas respostas, mas provocou inúmeras perguntas.”

Augusto Cury, baseado em Platão

Aprender a Aprender Quinta-feira, Out 4 2007 

Este é o tema que tem me assombrado estes últimos dias: “como aprender a aprender?” Sei que a frase soa ridiculamente mas está aí uma habilidade que não é treinada nas escolas. Em toda minha carreira acadêmica, ninguém nunca parou para me ensinar como eu deveria aprender.

Nossos currículos estão cheios de matérias que vão sendo lancadas pelos professores para que os alunos pesquem uma coisa ou outra. Na prática, devido à estrutura do sistema, resolvemos decorar de forma apressada (ou colar num pedaco de papel) toda aquela série bizarra de coisas aparentemente inúteis que nos foi jogada e gospí-las de volta na hora da prova.

Assim como o papel da cola é jogado fora depois da prova, tudo aquilo que decoramos também é jogado na lata de lixo mais próxima dentro dos 5 minutos que se sucedem após a prova. Você provavelmente se recorda de alguma situacão onde não lembrava como resolveu determinada questão da prova - que eventualmente acabou de fazer, diga-se de passagem.

O problema é que não aprendemos. Vamos virando máquinas para processar um conteúdo e gospí-lo de forma relativamente processada na outra ponta. Infelizmente, no caminho do processamento, pouco ou nada agregamos de pensamento crítico ao conteúdo sendo processado.

Percebi essa dificuldade enquanto estudante e depois mais contundentemente como professor Universitário.

Certa feita um professor distribuiu uma série de textos e pediu que os alunos lessem e indicassem os pontos que não concordavam com o texto. Foi um desafio gigantesco para a maioria dos alunos pois o mestre não queria um simples resumo do texto; ele não queria que os alunos lessem e depois guspissem o mesmo texto com outras palavras. Isso é fácil! Ele queria que os alunos entendessem o texto (o que é totalmente diferente de ler) e depois pudessem concatenar uma série de outros conceitos e experiências pessoais para poder realizar - de modo crítico - uma lista dos pontos com os quais não concordava com o texto.

Como professor fiz um teste de interpretacão curioso. Realizei um exame com 2 questões cada qual com um tema - A e B - e pedi que utilizassem respectivamente duas abordagens treinadas em aula - X e Y. As respostas corretas seriam aquelas onde A fosse discorrido com o uso de X e B fosse discorrido com o uso de Y (algo como AX e BY). No exame seguinte eu apliquei exatamente as mesmas questões - A e B - só que inverti as abordagens: pedi que discorressem com o uso de Y e X (ou AY e BX ao invés de AX e BY).

Embora as respostas precisassem ser totalmente diferentes, grande parte dos alunos concluiu que eu era algum idiota retardado e estava aplicando a mesma prova duas vezes. Não foram capazes de interpretar o que estava escrito e terem um mínimo de visão crítica.

Precisamos aprender a aprender.

Mediocridade Quinta-feira, Out 4 2007 

Estou num conflito cultural muito interessante que me fez pensar. Estou há 10 dias na Europa tendo aquela enorme influência de qualidade, prestatividade, honestidade e organização que fizeram deste continente o grande successo que ele é hoje.

Para ser mais específico, estou exatamente neste momento viajando de trem em direção ao sul cruzando as planícies frias e cobertas de neve do norte da escandinávia. O clima castiga o povo com duras, frias e intermináveis noites numa escuridão de dar calafrios à qualquer brasileiro. De dentro do moderno vagão pude, à confortáveis 20 graus celsius, ligar meu notebook numa tomada e colocá-lo delicadamente numa mesa própria para isso enquanto bebo uma pepsi comprada no vagão-restaurante. Posso assistir à neve caindo do lado de fora enquanto pessoas muito agasalhadas sobem e descem do trem sem apresentar nenhum cupom ou ticket uma vez que todos já entendem que o certo é pagar exatamente pelo trecho viajado. Entre os vagões, modernas portas automáticas e silenciosas parecem ter saído diretamente de um filme da série “Guerra nas Estrelas”. Enquanto um sistema digital de informação indica 140Km/h de velocidade, um funcionário informa que nunca houve sequer um caso de roubo nos trens em mais de 15 anos (mesmo que eu tenha deixado, de propósito, meu notebook, câmera-digital, mala, dinheiro e documentos sozinhos enquanto fui comprar a pepsi ou fui ao toalete).

Ao mesmo tempo estou aqui corrigindo os exames realizados pelos meus alunos da faculdade nesse semestre lá do longínquo e exótico Brasil. Alunos que não conseguiram atingir os requisitos mínimos da faculdade e precisaram passar por uma “repescagem” que reduz ainda mais os requisitos já tão baixos.

Sempre que estou dando aula ou corrigindo exames me coloco numa linha de pensamento onde vejo que aqueles jovens serão o futuro do país. Sem demagogias vazias. Eles serão efetivamente os próximos profissionais, aqueles que buscarão empregos, que serão nossos parceiros de trabalho, nossos vizinhos, pagadores de impostos, cidadãos e membros dos nossos grupos sociais. Serão eles que trarão novas idéias, novas culturas, novas soluções e também novos problemas. Vão estar nos apoiando enquanto caminhamos para aposentadoria e, quando chegarmos lá, serão aqueles que sustentarão o mundo dos nossos netos enquanto descansamos em algum lugar confortável os últimos dias da nossa vida.

É assim que sonho pelo menos. E assim que tento fazê-los sentir. Tento resgatar a antiga relação pupilo versus tutor que tanto foi minada com essa máquina de ensino criada ao longo dos anos. O pupilo é mais que um aluno. Ele não é, de forma alguma, um “não-iluminado” como a palavra “aluno” nos relembra. Ele é um pupilo - a menina-dos-olhos, aquele que filtra tudo para um conhecimento maior, melhor, mais elevado - para ultrapassar o mestre. O tutor também não é somente um professor. Ele é um instrutor, aquele que aponta a direção, que transmite mais do que simplesmente uma lista enorme de assuntos. O tutor é útil, é chave, é o trilho, uma das peças do enorme trilho que o trem dos pupilos deve percorrer.

Mas ler os exames desses alunos me entristece demais: me faz lembrar de como nossa cultura brasileira é medíocre; como ela aceita a mediocridade como padrão irrevogável. Dezenas de alunos buscando nada mais que passar numa mísera matéria com a nota mínima para tal feito. Nada de realizar o exame inteiro. Para que, se só metade do exame já deve garantir os 50% que cada um precisa para passar? Esta postura me entristece: me faz pensar que o esforço é inútil, que nossos jovens são exatamente como os nossos antepassados: são medíocres, egoístas e cegos para o bem maior - cidadãos de segunda linha se é que ao menos podem ser chamados de cidadãos.

Por que aceitamos tanto a mediocridade? Por que aceitamos viver com violência e com pobreza ao nosso redor? Por que aceitamos uma corrupção tão escandalosa? Por que aceitamos uma educação pública tão nojenta? Por que pagamos para sermos tão mau-educados nas entidades particulares? Por que aceitamos pagar fortunas para atendimento médico? Por que não resolvemos transformar o Brasil em um país descente, do qual possamos nos orgulhar verdadeiramente, onde não precisemos nos preocupar se seremos assaltados ou não, se chegaremos vivos em casa ou não? Por que culpamos um ou outro governo quando a culpa é totalmente nossa?

A resposta é que nós simplesmente aceitamos ser medíocres. Aceitamos de cabeça-baixa tudo que nos é imposto pelos mais fortes - e até pelos mais fracos ultimamente - vide o caso Evo Morales. Simplesmentes aceitamos ser medíocres. Aceitamos os indicadores sociais “na média” como dizem meus alunos - esses sim sem-iluminação.

Aceitamos que nos paguem de forma desequilibrada - os mais ricos sempre ficando mais ricos e os mais pobres sempre recebendo menos. Aceitamos que o Brasil cresça abaixo do crescimento mundial. Aceitamos que as pesquisas indiquem que somos um dos países mais corruptos do mundo. Aceitamos ter uma mídia manupulada e manupuladora. Aceitamos pagar a maior carga tributário do mundo e ter tão pouco em troca. Aceitamos um sistema tributário confuso e ineficiente. Aceitamos exageros profissionais em troca de míseros centavos no final do mês pagos por algum empresário sem coração ou por um governo corrupto.

Como alguns dos meus alunos retidos para exame, buscamos nada mais que a média em tudo e, exatamente por isso, a busca pela excelência nunca acontece e ficamos geração após geração retroalimentando um sistema falido.

Enquanto buscarmos nada mais que a mediocridade continuaremos sendo vistos como meros medíocres pelo mundo afora. Infelizmente com razão.

Next Page »